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Ribeirão da Ilha e suas bandas
Aproximadamente no ano de 1870 vivia na Freguesia de Nossa Senhora da Lapa um povo cuja atividade principal era a pesca. Poucos eram os que se dedicavam à cultura da terra. Embora fosse um povo com grau de instrução relativamente baixo, sabiam apreciar as artes, principalmente a música. Tinham como costume nas noites quentes de luar, sentarem-se nas calçadas para cantar ao som do cavaquinho, viola e pandeiro principalmente. O amor pela música fez com que Benevenuto Silva, Fabriciano Souza, João Rosa e outros penssassem numa bandinha. Era sonhar muito alto, mas não impossível. pela renda média da população tudo indicava que seria uma sociedade muito pobre. Mesmo assim, sem pensar em detalhes, não sabemos como, nem onde, conseguiram um instrumental em péssimas condiçõesde uso. Para fazê-los funcionar era preciso eliminar os vazamentos com cera de abelhas. A quantidade de cera empregada chamava a atenção do público que não perdeu tempo em denominá-la "Banda da Cera". Apelidado este que fez esquecer seu verdadeiro nome, SOCIEDADE AMANTES DO PROGRESSO. O apelido não encomodava os músicos. o importante era era a presença de sua bandinha em todas ocasiões . O tempo corre e a deficiência do instrumental aumenta. A cera de abelhas já não consegue corrigir os defeitos satisfatóriamente, dificultando a execução. O povo observa e sente que alguma coisa deve ser feita, imediatamente, antes que a sua bandinha desapareça. A comunidade não aceita mais a hipótese de ficar sem música nas suas festas. Já são 25 anos de alegria. Diante do problema, Gustavo Fenner, Hermínio Silva, Angelo Cordeiro, José Heidenreich, Juvêncio Fraga e outros tomam a iniciativa e fundam a SOCIEDADE MUSICAL NOSSA SENHORA DA LAPA. Esta mais poderosa finaceiramente, importa da Alemanha, através da Firma Carlos Hoepcke, um instrumental OK em 1896. A cera, apesar de muito distancidada da co-irmã em equiamentos leva a vantagem do material humano, seus músicos eram mais experientes. Ferida no seu orgulho reage e continua humildemente o seu trabalho, executando belas melodias nas mesmas condições da sua rival, mesmo à base da cera. Durante alguns anos as duas bandas apresentavam-se lado-a-lado, em todos os acontecimentos religiosos, cívicos, carnavalesc, etc. disputando a preferência do público. Só uma coisa as duas não podiam evitar, o desgaste do equipamento. A Cera já sente a aproximação do fim de suas atividades. O material empregado nos reparos dos instrumentos, já não oferece mais resisência tendo em vista o alto grau grau de desgaste. A situação agrava-se ao ponto dos músicos reconhecerem com tristreza que não poderão mais continuar o seu trabalho. Pra os mais insistentes e inconformados só resta uma solução: juntar-se à Sociedade Musical Nossa Senhora da Lapa. E esta, embora aparentemente com vantagem, lamenta a extinção da sua rival e acolhe os velhos artistas reforçando assim o seu quadro. Em 1937 a Soc. consegue recursos pela segunda vez e adquire um novo instrumental para todos os seus componentes. Desta vez nacional, pois já existia fabricação no Brasil. As atividades continuam normalmente, as apresentações são feitas em todas localidades vizinhas e até no continente. O povo da Freguesia de Nossa Senhora da Lapa orgulha-se de ter a sua banda, sendo um lugar tão pequeno. Sabia que em muitas cidades grandes não existia e que em tantas outras já existiu mas terminou. Passaram-se 15 anos. Os instrumentos agora nacionais, não tem a mesma resitência daqueles importados que duraram 40 anos, e começaram a apresentar problemas. Desistem de cera de abelhas e apelam para o elástico e esparadrapo. Mas nada resolve, o material não resiste. Um novo instrumental se faz necessário, porém a falta de recursos é total e não há condições de substituir pelo menos alguns que já se encontram fora de uso. A banda começa a cair. Aos poucos ela vai diminuindo as suas apresentações. Finalmente chega a Festa da Padroeira. É agosto de 1951. A banda não pode comparecer. o povo sentiu, chorou a sua falta, ms reconheceu que era em grande parte culpado. Não deu atenção aos apelos feito pelos músicos; aí estava as consequencias. Eram os jovens, talvez os mais interessados pelo movimento. Não parecia ser dia de festa. Terminada a missa o povo recolheu-se à sua casa. Nada havia que pudesse prende-los, faltava a Banda. Os mpusicos presntes na festa estavam arrasado. Uma reunião foi marcada urgente para estudar as possibilidades de reorganização imediatamente. Nessa mesma noite, na residência do Sr. João José de Ávila compareceram todos os músicos e mais 17 jovens interessados em participar. Discutiram até altas horas da noite todos os detalhes indispensáveis à reorganização da banda incluindo a contratação de um maestro, transporte, hospedagem, etc A luta começou. Vários instrumentos foram encomendados pelos novatos, outros foram encaminhados à fábrica para total recuperação. Enquanto isso, os principiantes recebiam aulas intensivas de teoria musical. Três meses se passam. Chegam os instrumentos, começam os ensaios durante nove meses. Aproxima-se agosto de 1952. É dia de Festa da Padroeira. A expectativa é grande. Todos agurdam a bandinha que vem chegando com 18 componentes, 5 veteranos e 13 novatos. A bandinha nervosa, acomoda-se e executa o seu primeiro dobrado, O RESSURGIMENTO. Composição do Maestro Brasílio Machado,mestre da Banda, feito especialmente para esta ocasião. Aplausos, risos, choros e lágrimas de emoção era tudo o que existia. Todos diziam: agora sim, temos festa. Viva a banda! Não a deixaremos mais sem apoio, precisamos dela. Tudo promessa de momento. O instrumental e uniforme eram novos, a banda não precisava de nada. Trinta e dois anos se passam da sua reorganização e a bandinha continua sozinha. O povo esqueceu da sua promessa e não levanta um dedo em em seu favor. mesmo assim ela é a primeira a chegar trazendo a sua mensagem através da música. Daquele 17 componentes que se apresentaram felizes, alegres, naquele agosto de 1952 apenas cinco continuam com dedicação o seu trabalho .
Através dele várias turmas de principiantes já ingressaram na banda, aprenderam e foram fazer carreira nas bandas militares. Pela amizade que desfrutam trouxeram excelentes músicos de outras localidades que aqui vieram trazer sua experiência, a su colaboração, Aos nossos amigos e mestres que já se foram deste mundo registramos nossa saudade. É em homenagem a eles que que pretendemos levar avante os trabalhos que iniciaram com tanto carinho. Tentaremos remover as dificuldades que surgirem dia-a-dia.